Existem histórias que não começam com um plano estruturado, nem com uma decisão totalmente consciente, mas com um convite, uma dúvida e, muitas vezes, um primeiro “sim” que parece simples, quase despretensioso, mas que, silenciosamente, carrega dentro de si uma mudança inteira.

Em 2016, eu não planejava trabalhar com eventos. Eu estava no setor financeiro, vivendo uma rotina estável, seguindo um caminho que, até então, fazia sentido.  Mas a essência sempre esteve ali: na forma como organizava, na maneira como conduzia situações e, principalmente, na facilidade que eu tinha em assumir a frente quando algo precisava acontecer.

Ainda assim, havia dúvida. Existia a crença de que, para atuar com eventos, era preciso ter um perfil diferente, talvez mais preparado ou mais alinhado a um padrão que, naquele momento, parecia distante. 

Até que, um dia, uma cliente olhou para mim e pediu que eu organizasse o seu casamento. Sem estrutura ideal e sem grandes expectativas, eu aceitei, e foi aqui que tudo mudou, hoje completamos 10 anos na organização de eventos.

Quando o início não é sobre certeza, mas sobre entrega

Desde o primeiro evento, mesmo sem experiência, existia uma certeza muito clara dentro de mim: eu não saberia fazer de qualquer jeito, todos os detalhes precisavam de zelo. 

Um evento levou a outro, depois mais um, e, quando eu percebi, estava vivendo dois mundos ao mesmo tempo, dividindo minha rotina entre o setor financeiro durante a semana e os eventos nos finais de semana, até que a vida, de forma muito dura, interrompeu esse equilíbrio.

A decisão que mudou tudo

Em outubro de 2017, eu perdi a minha mãe e, junto com essa perda, veio uma ruptura interna que mudou completamente o rumo da minha vida. 

Eu não conseguia ignorar aquilo que, mesmo em meio à dor, já estava crescendo e pedindo espaço.  Mesmo sem garantias, mesmo atravessando um dos momentos mais difíceis da minha vida, eu escolhi os eventos. Foi quando em março de 2018 pedi demissão do meu atual emprego.

No entanto, foi nesse período que eu entendi algo que carrego comigo até hoje: os eventos salvaram a minha vida. Enquanto eu atravessava o luto, também estava inserida em histórias felizes, cercada de encontros, de famílias, de celebrações, e, de alguma forma, isso me manteve em movimento, me manteve presente, me manteve de pé.

Crescimento, intensidade e entrega real

Os anos seguintes foram intensos, marcados por uma entrega profunda e constante. Em 2018 e 2019, foram mais de 50 eventos por ano.  Neste momento compreendi, de forma muito clara, que não existe espaço para fazer eventos “mais ou menos”.

Com 10 anos na organização de eventos, uma coisa é clara: ou você assume, de fato, a responsabilidade por aquilo que está conduzindo, ou você não está presente da forma que deveria.

Desafios e obstáculos pelo caminho.

Contudo, 2020 trouxe consigo um dos maiores desafios dessa trajetória. Com um casamento internacional marcado e embarque previsto para uma terça-feira. Na segunda à noite, o mundo parou com a notícia de um novo vírus: O Coronavírus 19.

Vieram os cancelamentos, os adiamentos, os decretos, as incertezas e, junto com tudo isso, vieram também perdas profundas. Clientes perderam pessoas essenciais, histórias que precisaram ser interrompidas e, depois, reconstruídas com ainda mais cuidado.

O fácil seria desistir, mas não era uma opção. Seguimos ajustando, reorganizando, segurando na mão de quem precisava, insistindo quando fazia sentido insistir, acolhendo quando era necessário acolher.

Os marcos que construíram essa trajetória

Ao longo desses 10 anos, alguns momentos se tornaram marcos importantes, não apenas pelo tamanho, mas pelo que representaram nessa caminhada.

O primeiro evento, que começou sem pretensão, mas com entrega.
A decisão de sair do CLT e assumir um novo caminho.
O primeiro evento para mais de mil pessoas.


A travessia da pandemia, permanecendo no setor mesmo diante das incertezas.
Os casamentos fora do estado, depois fora do país, (Casamento realizado em Punta Cana)


A experiência de organizar o meu próprio casamento e viver o outro lado.


O reconhecimento de que os eventos foram sustento no momento mais difícil da minha vida.
 

A escola de negócios: formar profissionais e fortalecer o mercado de eventos

Com o passar dos anos, a experiência deixou de ser apenas prática e passou a se transformar também em direção. Depois de viver intensamente o mercado, atravessar diferentes cenários e conduzir centenas de eventos, surgiu um novo movimento, que nasce da consciência de que é necessário ir além da execução.

Foi assim que nasceu a Jéssica Zucco Escola de Negócios.

Um espaço construído para compartilhar o que, lá atrás, precisou ser aprendido na prática, muitas vezes sem orientação, sem estrutura e sem direcionamento claro. Hoje, esse conhecimento se organiza em cursos e mentorias que têm como objetivo preparar profissionais de forma mais consistente, estratégica e alinhada com a realidade do setor.


Uma nova fase, com mais clareza e responsabilidade

Depois de 10 anos, entendo que não faço apenas eventos, mas conduzo momentos que não voltam, com estrutura, com clareza, com responsabilidade e, principalmente, com respeito por cada história que passa por mim.

Eventos podem ser planejados, estruturados e organizados com método. No entanto, aquilo que eles representam — os encontros, as memórias e os significados envolvidos — exige algo que vai além da técnica.

Exige estar presente em momentos que não voltam,  sustentar histórias que atravessam fases importantes da vida e, principalmente, respeitar o que cada evento carrega para quem está ali.

A nova marca surge como reflexo dessa evolução. Não representa um recomeço, mas um alinhamento com tudo o que foi construído até aqui.

Existe mais consciência sobre os processos, mais precisão nas decisões e, principalmente, mais respeito por cada história que passa por esse trabalho.

Ao longo desses 10 anos na organização de eventos, eu aprendi que não é o tempo que define uma trajetória, mas tudo o que acontece dentro dele: os bastidores, os ajustes, as decisões difíceis e a forma como escolhemos permanecer, mesmo quando o caminho não é simples.

Hoje, existe mais clareza, mais estrutura e mais consciência sobre o que eu faço. Mas, no fundo, a essência continua a mesma: o cuidado, a responsabilidade e a forma como cada detalhe é conduzido.

Comp.